domingo, 4 de dezembro de 2011

Banco tem capacidade de emprestar R$ 10 bi



O Banco Original tem capacidade de emprestar R$ 10 bilhões em linhas de crédito ao agronegócio, destacou o presidente da J&F, holding que controla a instituição financeira, Joesley Batista. Para 2012, a projeção é triplicar a carteira do setor. Segundo ele, a meta é ser um dos maiores bancos do País para o agronegócio. "O agronegócio durante muitos anos foi visto como segmento marginal, onde só o Banco do Brasil financiava. Isso é coisa do passado. Hoje o setor é profissionalizado", disse o executivo.

Para criar o Original, a partir da fusão do Matone com o Banco JBS, houve um aporte de R$ 1,85 bilhão, feito pela J&F. O presidente da holding destaca que houve a participação do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) na operação de capitalização. "Mas não foi o ator principal da história (de criação do banco)", disse, em entrevista à imprensa. Sem revelar valores, Joesley disse que a maior parte do aporte veio da holding J&F.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Crescimento populacional desafiam distribuição de alimentos



O crescimento populacional e as mudanças climáticas estão conduzindo o planeta rumo a episódios de agravamento da fome que apenas uma revisão do sistema alimentar poderá corrigir, afirmou, ontem, um painel internacional de especialistas. "Precisamos aumentar a produção global de alimentos em 30% até 80% até 2050 e reduzir as emissões (de carbono) pela metade", disse o professor britânico John Beddington, que presidiu um grupo de 13 membros durante nove meses.

Em 2012, será divulgado o relatório completo do encontro da chamada Comissão sobre Agricultura Sustentável e Mudanças Climáticas. As propostas se concentram no combate ao desperdício por meio de cadeias de abastecimento mais inteligentes, já que um terço dos alimentos produzidos para consumo humano é perdido ou desperdiçado no sistema de distribuição global.

"No século 21, temos um importante conjunto de ameaças convergentes", disse Beddington. "Há o crescimento populacional, o consumo insustentável dos recursos e grandes pressões sobre a Humanidade para que transforme a maneira como usamos os alimentos", declarou. "Mas (o problema) está intimamente relacionado a questões sobre água e energia."

Segundo Beddington, o salto dos preços dos alimentos em 2007/2008 empurrou 100 milhões de pessoas para a situação de pobreza e outros 40 milhões de pessoas foram pressionadas com a alta dos alimentos em 2010/2011. "Há uma preocupação real com a fome e há consequências do nível dos preços dos alimentos que causam instabilidade", comentou.

A Comissão foi estabelecida em fevereiro pelo Grupo Consultivo sobre Pesquisa Internacional em Agricultura, uma organização que envolve diversas outras, fundada por governos nacionais, organizações regionais e fundações de pesquisa. O grupo avalia formas de alimentar o mundo, cuja população já chegou a 7 bilhões de pessoas.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Maior produtor chinês de rações



Maior produtor chinês de ração animal, o New Hope Group Co vai lançar no fim do mês um braço de investimentos internacionais concentrado em aquisições no setor agrícola. Os negócios serão feitos com investidores estrangeiros, inclusive o fundo soberano de Cingapura Temasek Holdings, a companhia de grãos norte-americana Archer Daniels Midland (ADM) e a Japan's Mitsui & Co, de acordo com o presidente do New Hope, Liu Yonghao.

O grupo também planeja abrir sete ou oito fábricas fora da China, principalmente na Ásia, no Oriente Médio e na África. "A construção de nossa fábrica no Egito vai ser concluída em breve e estamos escolhendo a localização da fábrica na África do Sul", disse. "Também estamos explorando a possibilidade de investimento na Europa central", acrescentou.

Em abril, o New Hope Group cooperou com a Agria Corp, companhia de sementes chinesa, para comprar participação de 50,1% na neozelandesa de sementes PGG Wrightson, em um acordo avaliado em US$ 200 milhões. No início deste mês, a Sichuan New Hope Agribusiness, subsidiária do grupo listada em bolsa, formou uma joint venture com a japonesa Sumitomo Corp para atuar no processamento de suínos, no comércio e nas vendas. A Sichuan New Hope Agribusiness possui 51% da joint venture, cujo capital registrado é de 20 milhões de yuan (US$ 3,15 milhões), sendo que 34% são da Sumitomo Corp e 15%, da Sumitomo Corp. (China) Holding.

O anúncio sobre a internacionalização do New Hope Group foi feito durante um evento da indústria em Hong Kong e publicado no site financeiro Sina.com.cn. Mais detalhes serão revelados na cerimônia de lançamento, em Pequim.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Importação global de alimentos atingirá recorde



A conta das importações globais de alimentos deve bater o recorde de US$ 1,29 trilhão em 2011, o que representa uma alta de 24% ante 2010. A estimativa consta no relatório "Food Outlook" da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), divulgado neste mês. O aumento do custo das importações deve alcançar dois dígitos em todas as categorias de alimentos na comparação com o ano passado. De acordo com a agência da Organização das Nações Unidas (ONU), essa elevação deve-se mais ao aumento dos preços que ao volume comercializado.

A conta das importações deve pesar mais para os países menos desenvolvidos. Para eles, a fatura vai aumentar 32% neste ano. Em outra categoria, a das nações menos desenvolvidas onde há déficit de alimentos, o custo deve subir 27%. Nesses países mais vulneráveis, o gasto com as compras de alimentos deve equivaler a 17% do total das importações, ante 7% na média mundial. Para os desenvolvidos, a conta deve subir 22% em 2011.

A elevação do gasto do mundo com a importação de alimentos tem sido puxada pelos produtos à base de grãos e óleos vegetais. Juntas, essas duas categorias de commodities são responsáveis por 36% de toda a conta das importações, contribuindo também com mais de um terço do aumento do gasto ante 2010.

Outros produtos, contudo, também ficaram bem mais caros para os importadores. É o caso do açúcar e das bebidas (alta de 23%), e carne e lácteos (19%). Com a inclusão dos pescados, o custo das importações de proteína animal deve alcançar US$ 365 milhões em 2011. Trata-se do grupo de produto mais caro da cesta pesquisada pela FAO.

A elevação dos preços mundiais dos alimentos foi puxada principalmente pela queda do dólar na maior parte do ano, diz a FAO. Em contraste com 2010, o crescimento do volume comercializado no mundo foi insignificante e em alguns casos, como o do açúcar, até recuou. Isso ocorreu diante da combinação de aumento da produção doméstica em vários países e desaceleração econômica em importados destinos compradores de alimentos.

A fatura das importações só não subiu ainda mais por conta das tarifas estáveis de frete durante os primeiros oito meses do ano. Nas últimas semanas, contudo, os valores subiram com força, o que deve pressionar o custo das importações até o final do ano.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Para esta safra, as sementes modificadas devem ocupar cerca de 80% da área cultivada em Minas.



O agricultor Francisco Schreiner planta milho transgênico há três anos, em Campo Mourão, Paraná. Pela semente transgênica ela paga 30% a mais em relação à convencional, mas diz que compensa. “Tem um custo a mais, mas nós temos um grande benefício em função disso. Nós evitamos em torno de três, a quatro aplicações de inseticida a mais do que seria em uma lavoura tradicional”, explica.

A variedade de milho transgênico cultivada por Francisco Schreiner é a BT. Esta é a sigla para bacillus thuringienssis. Uma bactéria que vive nos solos e que tem poder inseticida. Um gene desta bactéria foi introduzido na planta de milho. Quando a lagarta do cartucho, principal praga da lavoura, se alimenta da folha, ela morre.

A primeira liberação comercial de uma variedade de milho transgênico no Brasil aconteceu em 2008 e veio acompanhada de algumas restrições. Uma delas é a necessidade deixar áreas isoladas ou de "refúgio".

A planta tem polinização cruzada e pode cruzar com variedades convencionais. Por isso, há uma exigência legal para que o produtor plante uma área de milho convencional ao lado do transgênico.

O produtor pode fazer isto de duas formas. Planta milho transgênico, deixa uma área de cem metros com outro cultivo, e aí planta o milho convencional. Outra alternativa é plantar o milho BT, deixar dez fileiras com milho convencional, e fazer então uma área de isolamento, de vinte metros, sem milho transgênico.

Deste modo, caso o vizinho tenha milho convencional plantado, a lavoura não será contaminada. Além de impedir a contaminação de lavouras convencionais, a área de isolamento tem outra função: evitar que as lagartas sofram mutação e se tornem resistentes.

“Uma parte das pragas se multiplica na área convencional. Se nós tivéssemos uma lavoura, onde não houvesse a possibilidade da multiplicação de nenhuma praga, facilitaria o surgimento de um indivíduo resistente, que se começasse a se multiplicar, colocaria a tecnologia em risco”, explica Gilberto Guarido, agrônomo.

Na Coamo, todo o milho recebido é geneticamente modificado. “Ninguém se preocupou em pagar um prêmio pra se proteger com o milho convencional, então hoje é uma realidade, tanto no mercado interno ou externo. Ele tem aceitação e nós não temos nenhum problema de comercialização”, diz José Aroldo Galassini, presidente da Coamo.

O agricultor, Cláudio Consonni, está começando o plantio de milho em Presidente Olegário, em Minas Gerais. As plantadeiras são abastecidas com sementes transgênicas, que custa 400 reais a saca, enquanto a convencional custa 300 reais.

“Apesar de a semente custar mais caro, você tem uma economia de 15% na sua lavoura e consegue um incremento de produtividade e, além disso tudo, você evita aquele uso de agrotóxico que causa, queira ou não, um impacto no meio ambiente”, afirma.

O agricultor Adalberto Gonçalves, de Patos de Minas, plantou 15 hectares de milho convencional. Ele diz que ganha mais pelo produto. “Hoje você consegue vender acima de dois reais. O preço básico do milho, que foi vendido na média por R$ 26, você vende a R$ 28. Esse lucro a mais que eu vou ter, vai compensar as pulverizações e ainda vai me sobrar mais dinheiro”, declara.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Lavouras ficaram irreconhecíveis depois da chuva de granizo.



Frustrado, o cafeicultor Arthulino Salvador caminha entre o que restou dos 70 mil pés de café. A propriedade dele fica no Córrego Negro, em São Domingos do Norte, Espírito Santo. O produtor esperava colher 1.200 sacas na próxima safra, em vez disso, o prejuízo será enorme.

A chuva de granizo durou apenas 10 minutos, tempo suficiente para devastar lavouras inteiras. Em uma propriedade que tem 60 mil pés de café não sobraram folhas, nem grãos. A perda foi total. O cafeicultor Domingos Calixto perdeu metade da lavoura de café, 5 mil pés de pepino e 500 de banana.

A prefeitura agora faz um levantamento das áreas afetadas e garante que vai prestar assistência aos produtores. “A gente pede que os produtores afetados não tomem iniciativa sozinhos, procurem a secretaria de Agricultura que vamos prestar toda a assistência”, explica Paulo Bruni, secretário municipal de Agricultura.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Produtividade das lavouras superou expectativa e a safra deve ser maior.


As máquinas colhem o trigo nas propriedades em Tupanciretã, região noroeste do Rio Grande do Sul.

Nesta safra, os gaúchos plantaram 6% a mais do que na safra passada, o período de estiagem colaborou para acelerar os trabalhos e mais de 80% da área foi colhida.

O produtor Rogério Ceolin está colhendo cerca de 65 sacas por hectare e o trigo que sai das lavouras é de boa qualidade, conforme explica Jorge Vargas, consultor agronômico. “É um trigo que tem bom peso, que tem boa qualidade. É um trigo que muitos produtores estão com produtividade aceitável para os investimentos que foram feitos".

Mas a qualidade do trigo não é compensada com o preço. A média paga pela saca do grão no Rio Grande Sul gira em torno de R$ 24 e como a oferta é grande, faltam compradores no mercado. Por isso, os agricultores são obrigados a estocar o grão.

Em todo o estado, ainda estão estocadas cerca de 150 mil toneladas de trigo da safra passada, o que representa 7% do total.

Argemiro Brum, professor de economia internacional e especialista em análise do mercado de trigo, explica por que ainda tem tanto trigo estocado da safra passada e o motivo da desvalorização do grão. Confira o vídeo com a reportagem completa.